Livre-se do cigarro, seu cérebro agradece!

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A cada dia eu tenho mais certeza de que colocar um primeiro cigarro na boca é o mesmo que assinar uma sentença de morte. Neste Dia Mundial Sem Tabaco, assim sendo, sinto-me na obrigação de lembrar alguns dos riscos inerentes ao vício. E mais. Acho válido salientar também que, de acordo com relatório divulgado pela OMS, o tabagismo mata 5,4 milhões de pessoas por ano em todo o planeta. Se você já achou este número assustador, vai se espantar ainda com as nada boas previsões e com os muitos prejuízos que o fumo pode levar ao seu cérebro.

A nicotina afeta o metabolismo de uma das mais importantes enzimas do sistema nervoso, a acetilcolinesterase, o que acarreta problemas em todos os circuitos neuronais, principalmente no chamado sistema nervoso autônomo. Assim sendo, os mecanismos de controle cerebral ficam desregulados e ocorre uma proliferação de receptores de má qualidade, gerando então uma série de distúrbios. Tal alteração, vale salientar, atinge a parte medial do cérebro e, consequentemente, prejudica o controle do hipotálamo, onde está centro da saciedade, o que provoca a diminuição do apetite.

O cigarro pode contribuir para o aumento do stress e da ansiedade por estimular a região pré-frontal do cérebro, fazendo com que o indivíduo fique mais alerta. A médio prazo, por afetar também a região do cíngulo – área responsável pelas emoções -, pois o fumo contribui para o desenvolvimento e/ou surgimento de doenças psíquicas. Isso sem falar no sono, haja vista seu efeito estimulante e sua capacidade de liberar a ansiedade de forma desenfreada.

Mas é importante entendermos que a “melhora do humor” é falsa. O cigarro relaxa a pessoa de forma ilusória, pois tira dela o foco nos problemas cotidianos. Este mito, inclusive, serve para explicar a dependência física, psicológica e também psicossocial causada pelo hábito de fumar, todas desencadeadas pelos efeitos nocivos das muitas substâncias tóxicas encontradas no cigarro.

O vício, devo ressaltar, pode deixar os neurônios envolvidos na formação de novas memórias mais lentos, e os processos de memorização ficam comprometidos mesmo em fumantes passivos. Existe um retardo na potencialização destes processos e, logo, não registramos adequadamente determinadas experiências nos circuitos responsáveis pela memória, localizados no hipocampo e lobo temporal. Há ainda uma diminuição significativa nos níveis de acetilcolinesterase e na síntese de óxido nítrico, fragilizando o processo de armazenamento de informações.

Ainda segundo a OMS, em 2030, essa epidemia custará a vida de cerca de 8 milhões de pessoas. O tabagismo é considerado um problema de saúde pública, de modo que já existem estudos para o desenvolvimento de vacinas para seu controle. Enfim, uma notícia boa. Mas não espere que ela se torne realidade, tome você mesmo uma atitude e logo!

Perfil Dr EB

Dr. Eduardo Barreto, presidente da Sociedade de Neurocirurgia do Rio de Janeiro, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Tels.: (21) 9982.3169 / 2431-3384 (consultório)